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Mais do que uma despedida

despedida

Se você está lendo isso agora saiba que é tarde demais. Não sei se faz um dia ou um ano desde que escrevi esta carta a você, mas nada mudou. Disso eu sei. Eu já parti, saí da sua vida tão sorrateiramente quanto entrei. Talvez me arrependa disso amanhã, mas honestamente pelo tempo que estive contigo perdi a conta do calendário. Não sei mais sequer quem hoje sou! A culpa disso foi sua. Mas nem de todo mal é feita a culpa, eu que achei que pudesse esperar a vida toda e não pude. Aliás, quem é que pode? Quem é que aguenta tornar a insistência uma concorrência para o coração?
Meu bem, eu fui vencida pelo cansaço quando bati a sua porta naquela madrugada, quando fingi não te ver dando mole para outras, quando mesmo assim te deixei despir minha roupa. Eu achava que você me via como um porto seguro, mas por muitas vezes não passei de sua válvula de escape. Você não faz ideia de quantas noites esperei ao lado do telefone qualquer proposta presunçosa de ser casual. Eu queria que você me quisesse por uma vida inteira, e continuava a aceitar ser tua por uma noite mal dormida. Mas hoje da mesma forma que me sinto dilacerada estou absolutamente mais forte; não se doa em mil pedaços sem se reivindicar cada parte. Hoje, qualquer coisa é muito pouco, todo mundo é muito gente. Tem que fazer valer, tem que fazer querer. Não te deixei por pouca coisa, eu te troquei pela minha liberdade.


Aprendi que não podia controlar suas escolhas e, às vezes, ao invés de teimar em te provar a coerência do meu lado devia simplesmente ter aceitado sua divergência. Aprendi que você não me compreendia sem palavras, e mesmo quando eu as dizia, relutava em concordar. Sinceramente, eu devia ter feito menos, tentado menos, sentido menos. Mas quando a gente se entrega demais tende a achar que exista uma fórmula mágica de recompensação. Aprendi que isso não existe, algumas pessoas nunca conseguirão ver quem tiveram do lado mesmo depois de perdê-las. 

Aliás, aprendi muito sobre perda, sabe? Não dói por aquilo que tínhamos, mas pelo o que nunca tivemos. Dói pelo o que gostaríamos de ter e acabamos nos acovardando no receio de deixar escapar uma chance.
Por muitas vezes, me perguntei que chance era essa, se amor era mesmo esse bicho de sete cabeça com qual lutávamos desde quando nos conhecemos. Se iríamos esquecer de antigas rupturas quando selássemos novas memórias. Ou melhor, boas memórias. Há algo de sobrenatural e divino em toda história que já ouvimos que nos faz acreditar que para o amor acontecer tem que está escrito, tem que ser destino. Mas, mais do que nunca, acredito que o destino é puramente força de vontade. Talvez se tivéssemos dado tão certo quanto eu te pedia nem sequer fôssemos nós mesmos, e como poderíamos amar a quem não conseguíamos conhecer?

Se você leu até aqui, saiba que não volto atrás. Eu achei que pudesse te esperar a vida toda, mas quem sabe o que esperar da vida, afinal de contas? Sinto o que você, talvez, nunca possa entender de tão forte e contraditório. Ainda que eu saiba que isso não vai mudar nada, não consigo evitar a nuvem de conflitos que paira sob minha cabeça lembrando do que fiz e do que podia ter feito. Sinto-me grata por tudo que aprendi com você, mas agora sou eu que faço as escolhas. Posso tropeçar novamente e até cair, mas essa caminhada é minha e sei que sempre vou me reerguer. Sobretudo, sinto muito por você que não aprendeu que amor verdadeiro é dado de graça a quem merece, e não a quem persiste. Não sei se faz um dia ou um ano desde que te escrevi esta carta, mas te deixei para trás, te deixei livre. E torço que, logo, aprenda a não deixar quem te ama ir embora.

via: bendita cuca

CARTA SOBRE A DESPEDIDA QUE NÃO TIVEMOS.



Oi, ________.
Quero te dizer que foi uma pena, eu ainda poderia te fazer rir das minhas bobagens, pegar as bagagens que você não aprendeu a dizer adeus, jogar tudo pro alto e te fazer, de um vez por todas, mesmo que fosse tão complicado, se sentir livre e segura comigo. Foi uma pena porque eu ainda iria te dar muitos daqueles beijos molhados, te fazer passar o dedo no canto da boca e sorrir baixinho pedindo mais. Foi uma pena porque eu queria sair outras vezes com você e muitas vezes te arrastar pra conhecer lugares que você nunca viu antes, te apresentar pra cada gente que você não conhecesse como meu novo amor e te agradecer por me fazer tão bem. Queria te levar pra longe daqui, pra uma terra sem lei, pra uma ilha sem rei, pra um mundo só nosso, entende? Eu queria te dizer que todo mundo já chorou um dia, queria te acalmar, te falar que iria ficar tudo bem comigo. Eu queria enxugar todas as tuas lágrimas e te explicar que eu não seria mais um motivo pra você complicar seus sentimentos e desconfiar dos meus. E foi uma pena, de verdade, porque eu pensava em enganar o síndico do prédio, roubar a chave da cobertura e te levar pra ver o meu pôr-do-sol. Porque eu já estava pronto pra sair de madrugada pra te ver, já estava prestes a perder o sono, a dormir depois das três conversando contigo e te ligando no dia seguinte pra saber se tá tudo bem. Foi uma pena porque eu planejava te colocar nos braços depois daqueles vinhos que eu corri até o mercado pra comprar quando você disse que viria e eu esperei você chegar. Cê nunca mais voltou.
Foi uma pena.
Foi uma pena porque eu planejava ir a sua formatura, participar do teu aniversário e ser citado no teu discuso me agradecendo todas as horas que passei ao teu lado. Esperava que você me chamasse pra falar um pouco de nós dois e dizer que você foi a melhor coisa que aconteceu nesse ano. Foi uma pena porque eu realmente queria ter me apresentado aos seus pais, cantar uma música pra você dormir, dormir contigo quando você se sentisse só, te apertar quando você ameaçasse partir. Foi uma pena porque eu estava disposto a ser pra sempre seu, a te curar, te querer, te amar e cuidar de você como sempre desejei que alguém cuidasse de mim.
Eu lamento.
Lamento porque não escrevi nenhuma carta pra você, senão essa. Porque não nos despedimos direito e até agora, não entendemos o que exatamente aconteceu com a gente. Lamento porque não consegui ver você com aquela calça que eu te ajudei a escolher, e porque tive que trocar o amor pelo teu nome na agenda, e por não mais te chamar de mô quando você me ligou pra dizer que pegaria o livro que esqueceu aqui. Lamento porque troquei o papel de parede do celular, porque exclui nossa última conversa e se alguma palavra que falei te machucou, peço desculpas. Lamento por ter que te tirar da minha vida, assim, sem querer. Lamento porque sua mãe me ligou semana passada me chamando pra almoçar com vocês e eu não aceitei. Lamento por ela pensar que foi só uma briga boba e que resolveríamos o mais rápido possível como dois adultos. Lamento porque ela insistiu nisso, pediu pra que eu ligasse pra você e disse que pediria pra você me ligar. E eu esperei. Você não ligou, eu liguei. Você não atendeu e eu entendi. Lamento porque você me ligou tarde de mais. Quando eu já nem tinha coragem pra olhar pra você, quando eu já nem tinha vontade pra te receber, quando eu já nem tinha paciência pra ouvir tua voz nem tempo pra te encontrar. Lamento por você ter esperado eu ir embora pra só agora me perceber, e por você ainda não ter aceitado nosso desfecho.
Mas agora eu posso te lembrar.
Posso te falar sobre meu novo começo e como me doeu te esquecer. Posso te lembrar daquele momento que eu não consigo esquecer, daquele beijo na testa que você me deu e aquele abraço frouxo me dizendo pra seguir a vida sem você porque você iria se virar se mim. Posso te ensinar a seguir um só caminho e pode ser aquele que eu segui sozinho quando cê disse que não queria mais me ver. Posso te explicar quanto tempo vai durar pra aceitar, e se isso for te acalmar, uma hora passa, você se cura como eu me curei. Posso te falar um pouco sobre os meus dias depois daquela despedida por mensagem, se interessar, te conto como eu sarei. Posso também deixar bem claro as coisas pra que você não deixe alguém partir por medo de arriscar porque algum ex-amor te prejudicou e você esqueceu da parte que não se poupa esforços quando se tem alguém que não poupará distância pra ficar com você. Deixo o adeus que nunca te dei e desejo que você aprenda a desviar da queda se te roubarem o paraquedas. Mas se a queda for inevitável, te desejo tempo. Desejo também que você ame alguém de verdade, mas se não for verdade, desejo que consiga se virar com as tuas mentiras. Mas se não for amor, desejo que saiba decorar o vazio que sentir. Mas se não for ninguém, desejo que você fique bem, como fiquei quando você não foi verdade, nem amor e se tornou ninguém. E que não sofra por alguém. Mas se sofrer, lembra do que fui pra você e você não foi nada. Mas se não foi nada, lembra que tive que sorrir quando você sumiu daqui. E ri ou chora, mas por favor, cresce.


Texto dê: Iandê Albuquerque