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Fica com quem te ache interessante, mesmo quando não for mais novidade


Somos movidos por alcançar o que ainda não temos, por chegar aonde nunca fomos, por sentir o que nos é novidade. O novo atrai, desperta interesse, fascina, no sentido de que se incomodar com o cômodo é o que move a renovação dos sonhos e esperanças do movimento contínuo das vidas. No entanto, dentro de nós, há necessidade de mantermos algumas permanências que nos sustentam o equilíbrio e a serenidade com que devemos pautar nossa jornada diária.
Alguns sentimentos, emoções e determinadas pessoas devem ter um lugar permanente em nossas vidas, mesmo que mudemos para outros lugares, mesmo que partamos para novos projetos, mesmo que o mundo lá fora nos intime a experimentar algo novo e supostamente melhor. Sempre será necessário voltarmos os olhos para dentro de nós, para nos certificarmos de que muito do que já faz parte de nossa jornada, do que temos conosco, é imprescindível ao nosso respirar com alento e serenidade.
Da mesma forma, teremos que prestar atenção ao que realmente significamos na vida de alguém a quem nos entregamos, para percebermos se somos prioridade na vida do outro. Não no sentido de que ele deva nos idolatrar acima de tudo, mas sim se os seus olhos nos procuram com necessidade íntima, se somos parte integrante em suas lembranças, se nossas mãos se entrelaçam com calor humano em momentos de ternura vívida.
Assim como temos que regar e alimentar os nossos sentimentos para com as pessoas, é necessário que sintamos a mesma atitude por parte do outro, pois nenhum relacionamento sobrevive de um lado só. Aguardarmos o dia todo por alguém que mal chega ao nosso lado e não tira os olhos do celular, da televisão ou de dentro de si nos destitui de quaisquer traços de significância, de dignidade, de valor próprio.
Não deixemos ir embora quem esteve ao nosso lado sob chuvas e trovoadas, quando ninguém mais havia ao redor, quem sempre achava um jeito de nos trazer um sorriso, de nos levantar os ânimos, de nutrir admiração real. Mas também não deixemos ficar junto quem não faz a menor questão de estar ali, quem não demonstra um mínimo de consideração por tudo o que fizemos, por nada do que somos. Que vá embora quem fica sem estar de verdade.
Fiquemos com quem dorme e acorda ao nosso lado notando a nossa presença, pois, caso insistamos em permanecer onde predomina o vazio, acabaremos nos afastando de qualquer chance de realizarmos os nossos sonhos de vida. Ninguém, afinal, há de merecer perder-se no vazio de uma entrega solitária, pois sempre encontraremos alguém a quem seremos interessantes ao longo do tempo, sem desculpas, sem demoras. É aí que deveremos, então, estacionar a nossa alma.
Escrito por Marcel Camargo, colunista do Sábias Palavras.
Veja mais sobre Marcel clicando aqui.


“Muito obrigado”: Faz bem pra quem ouve, faz bem pra quem diz!




Não há no mundo exagero mais belo do que a gratidão.” (Bruyere)
Todos queremos ser reconhecidos e esperamos gratidão pelo que fazemos, seja no trabalho, nos estudos, seja em casa ou na vida em sociedade. Embora sejamos aconselhados a fazer o bem e a ajudar os outros sem alardes e sem aguardar retorno, acabamos sempre nutrindo uma esperança íntima de recebermos a gratidão alheia, ainda que não explícita, pelo menos demonstrada em simples gestos, como um sorriso ou um brilho no olhar. Mas o que vale é ser grato, porque a gratidão traz uma sensação de bem, de satisfação e, melhor ainda, nunca de forma unilateral.

Infelizmente, a muitas pessoas é difícil demonstrar o quanto são gratas pelo que lhes fizeram, pelas ajudas recebidas, pois realmente não conseguem expressar nada de positivo. Tendo-se perdido no amargor com que construíram suas vidas, já se encontram impossibilitadas de querer sair daquilo tudo com vida. Já não se permitem mais um respirar tranquilo, tampouco um sorriso sincero. Há, também, quem se sinta grato, mas não consegue expressá-lo, nem por palavras, nem por atitudes. Muitas pessoas acostumaram-se a fechar as portas de sua essência para o mundo lá fora, abafando desejos, engolindo revoltas, enterrando impulsos. Já não conseguem mais contribuir aos caminhos da vida à sua volta com nada daquilo tudo que possuem dentro de si. Sentem-se desinteressantes, incapazes e diminuídas em seu amor-próprio.

Não importam os motivos do não agradecer, importa é sabermos que somente tem a perder quem não cultiva a gratidão como um dos sentimentos norteadores da jornada diária. Sendo a felicidade o nosso propósito maior, estaremos menos fortalecidos nessa busca, caso negligenciemos o reconhecimento sincero por tudo o que a vida e as pessoas nos trazem de bom. A gratidão é combustível e alimenta o fluxo contínuo de nossos sentidos em direção ao que realmente nos reconforta e engrandece o nosso viver.
Por mais difícil que pareça, devemos ser gratos, da mesma forma, a todos os obstáculos e a todas as pessoas difíceis que encontramos pelo caminho, uma vez que trazem aprendizados imprescindíveis ao nosso amadurecimento e à convicção de nossas verdades. Ultrapassarmos os problemas diários nos fortalece e nos ensina a utilizarmos o que temos a nosso dispor em favor de nós mesmos. 

Tolerar alguém que não nos acrescenta em nada nos torna ainda mais convictos de que não sermos como ele é a melhor forma de encontrarmos nossa felicidade. Tudo é aprendizado. A gratidão nos torna mais felizes, pois preenche vazios, estende ajuda, alimenta a nossa essência com luz e sabedoria. A gratidão afasta incertezas, combate o desânimo, ilumina a escuridão noturna de nossos fantasmas, pois o bem reflete a si mesmo também em quem o pratica, irradiando sorrisos sinceros, tranquilizando os corações acelerados, sustentando tudo aquilo que é feito com amor e retidão, pois se alimenta da transparência e da sinceridade. Portanto, seja grato e, assim, certamente terá mais chances de ser uma pessoa verdadeiramente feliz.

* Dedico este artigo à minha amiga colunista Viviane Battistella, a quem direi “muito obrigado”, todos os dias de minha vida, pela força e pelo incentivo que me encorajaram a publicar meus escritos.

Escrito por: Marcel Camargo, colunista do Sábias Palavras.
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